Relações comuns e ódio padrão
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- 27 de mai.
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Há quem diga que romances são feitos de risadas largas, vontade incessante de estar próximo, beijos ardentes e um imaginário extenso do futuro juntos. Mas, meus queridos, esses seriam apenas fragmentos - tão só pedaços de realidade.
Os que tanto viviam nessa bolha ficaram nas telas, nos livros, na ficção que não cessa, na ilusão desejada de uma vida linear; emoldurada para ser perfeita.
E, feliz ou infelizmente, a depender dos óculos que vestes, o perfeito pode ser justamente as falhas pelo caminho. Aquelas que provocam emoções animalescas, penhascos profundos, conexões por um fio. E lá, no ideal, também moram o ódio, a raiva, a solidão, a retomada, o ócio, a individualidade ou a separação permanente.
Negamos sentir, expressar ou falar a respeito. Nos disseram ser feio; denegrir o pouco do que se acredita ser o amor puro, divino, capaz de penetrar na alma e invadir os poros.
Entretanto, só quem escolhe viver em par sabe que o compromisso vem concomitantemente ao encontro, lado a lado, tornando o casamento a revelação de uma história construída por pilares firmes, movediços, confortáveis e, amplamente, memoráveis.
Por isso, ao viver a vida a dois, odeie. Verbalize as insatisfações, transponha barreiras, mostre que, mesmo nas pequenices do dia a dia, ao passo que você se empenha para levantar bandeiras individuais, mais você edifica o cuidado e bem-querer.
Lembre-se: a vida não anuncia, nomeia ou rotula os momentos importantes.
O amor de hoje pode ser o ódio por conta do outro não zelar pela saúde; pode ser a discordância do conceito de família; da satisfação dos corpos; da nutrição da alma.
Na natureza a poda se transforma em gesto de cultivo; corta-se para mais adiante florescer.
Nas relações, deixar a poda para trás é florescer, escutar e aprender com as palavras soltas ao vento; redemoinho de sentimentos.
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Porque hoje me deu vontade de escrever sobre situações que me causam encantamento.
Aproveitem! Reconheçam-se!
Beijos,
Juliane




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