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Sinônimo de amor: a bolsa, o metrô e os olhos que sorriem

  • Foto do escritor: partilharhistorias
    partilharhistorias
  • 3 de jun.
  • 3 min de leitura

Outro dia me perguntaram por que a minha bolsa era tão grande. 


Poderia ser um mero interesse na tendência de moda ou uma tentativa de descobrir as variáveis que eu tento controlar, mas como levei um pouco pro lado pessoal, considerando uma certa invasão, devolvi o desconforto sem ressalvas: “você está querendo o quê?” 


Ali, naquela conversa tipo de elevador, só que com um objeto envolvido, peguei qualquer indício de aproximação e joguei fora. Ele saiu do assento do metrô, levantou as sobrancelhas e sorriu com os olhos. Desceu sem falar absolutamente nada e sem deixar sequer a ideia se eu conseguiria alguma resposta.


Eu, que vivo reclamando estar sem um parceiro, que já cheguei aos 35 e não há mais como cogitar um namoro razoável, fiquei mexida. Aquele nem era um trajeto que eu fazia com regularidade, porém decidi que usaria mais o metrô, próximo daquele horário, no mesmo vagão, apenas para ter certeza que a questão da bolsa era um pretexto para conversar comigo. Será que ele me achou bonita? 


Os dias se passaram, eu fui entrando no automático, ficando menos atenta ao redor e quando percebi a minha busca tinha cessado, bem como o interesse. Quem era mesmo que eu estava procurando? 


Até que fui a um happy hour com uma amiga. A empresa dela tinha lançado uma coleção de roupa, ela precisava de um apoio para encher o lugar, ouvir música, comer, beber… lá fui eu. Na volta, um tanto derrotada de cansaço e vinho branco, entrei no primeiro vagão que apareceu, sentei no metrô um pouco largada, coloquei a bolsa no chão. Eu ouvia Cazuza, como uma forma de florear um pouco a existência, e quando relaxei, abracei a jaqueta que tirei para o look ficar mais bonito, noto um grupo de pessoas vindo em minha direção. Me distraio com a conversa alta, as risadas, sorrio junto e ouço bem baixinho, do meu lado: “você está querendo o quê?”


Viro imediatamente o rosto e me deparo com ele. Penso: que abuso! Como pode estar repetindo o que eu falei?


Ele sorri novamente com os olhos, percebe que eu vou começar a reclamar e, na sequência, tira os meus fones, segura meu rosto e diz: "naquele dia, perguntei da sua bolsa porque queria entender se era grande o suficiente para carregar tudo aquilo que você deseja".


Mais uma vez fui nocauteada e fiquei curiosa. O que será que ele queria dizer com isso? Mais uma cantada barata? Então, reitero: “o que eu desejo? Como assim?”


E ele me ganha não pela sinergia com um artigo de moda, por imaginar que eu levava comigo um mundo de coisas por apego, insegurança, planejamento exacerbado, mas sim no complemento da ideia: “o que deseja sentir. Frio, calor, beleza, cuidado, memórias… cada um carrega consigo somente o que consegue suportar, não é mesmo? E acho que você queria compartilhar comigo, já que todos os dias te vi por aqui, buscando por algo que não estava no mesmo vagão, mas na plataforma".


Óbvio que o desenrolar dessa história viraria um livro no altar, porém quem vive sob o mesmo olhar, embora o despertar, muitas vezes, venha com a observação de fora; do outro, sabe que uma simples frase pode mudar tudo.


Hoje eu não entrei com um buquê nas mãos, eu vim de bolsa e eu quero que você entenda que ela não é grande porque não combinaria com meu vestido, mas é espaçosa o suficiente para caber todo o nosso amor!


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