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Saber amar

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  • 15 de jun.
  • 1 min de leitura

Seu aniversário chegou.


Pela primeira vez, de forma intencional, ele vestiu a camisa da seleção. Lutou por isso, pelo shorts ao invés da calça, pela meia quadriculada, vermelha e preta, embora o costume seja branco, verde ou amarelo.


Sua personalidade aflora a cada dia. Antes as vontades não eram tão fáceis de decifrar. As palavras não tinham tanto corpo, as expressões não eram tão nítidas e a opinião pouco defendida.


Só que hoje, só hoje, abriu a porta do quarto marrento, como se tivesse compromisso, como se fosse marcar um gol. Porém, ao contrário do que essa mãe acreditava, ao preparar uma surpresa com balões, fitas e confetes, seu semblante era como o de um adversário que recusa festa ao ver o ataque. 


Bravo, testa franzida, ausência de palmas, grunhidos para não assoprar a vela, posicionada milimetricamente sobre a torre de panquecas de banana.


O fato é que o mundo, um tanto patriarcal, racional, direto e pouco compreensivo, poderia achar tudo isso uma afronta. Que bobagem!


Hoje, justamente, por esse fato, eu celebro os seus quatro anos!


Quatro anos em que admiro o surgir, quase que abrupto, de um ser extraordinário. Afinal, é no ordinário, que ele se revela, ganha forma e mostra que até mesmo uma criança tem seus dias ao avesso.


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