Amar no silêncio
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- 10 de jun.
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Faz tempo que deixei de acreditar na definição poética do amor - e não só isso, comecei a me irritar também com tanta baboseira. Não, antes que você diga se tratar de uma fala amargurada, machucada pela vida, pelas pessoas ou pela pessoa, abro um parênteses para te mostrar uma outra visão de mundo.
Eu já sonhei muito em ter alguém que me trouxesse o famoso frio na barriga, que fosse como nos filmes da minha infância ou que me enviasse uma mensagem e oferecesse uma música no Programa Love Songs.
Mas, os amores chegaram, cada um de um tipo e em um tempo, e mostraram facetas que eu nem imaginava, trocas superficiais - quando eu considerava profundas -, rupturas por motivos inimagináveis e tentativas de regresso igualmente absurdas.
Já vi frio na barriga da paquera se transformar em frio na barriga ao anteceder uma briga, em não ter vontade de chorar quando o senso comum derramaria um rio de lágrimas… e hoje, com o passar dos anos (meus, da vida, nossos), já inverti toda a lógica do que considero amor.
As demonstrações mais fortes, para mim, são as que falam manso, repletas de delicadeza; os olhares que sorriem por um resultado almejado por ambos; as risadas por coisas simples, pequenos esquecimentos, surdez criativa e, principalmente, o silêncio.
Amo no silêncio como quando você está irritado com o trabalho e ao ser questionado por algo cotidiano, responde atravessado; amo no silêncio quando você é direto demais para expor sua insatisfação; amo no silêncio quando você assume um compromisso sem planejar, avisar e, ao ser interpelado, conclui que eu tinha razão; amo no silêncio quando vejo que não sou capaz de curar suas feridas - e nem devo - mesmo quando parte delas resvalam em mim; amo no silêncio até quando o meu silêncio é para te poupar da confusão que se passa em mim.
E pasme, meu conceito de amor não é superior aos demais. Eu decidi nomeá-lo de amor nas entrelinhas, nos erros, nas linhas tortas e subjetivas demais para um ou outro ter razão. Admiro, observo, sustento e sobrevivo daquilo que é real, inerente ao ser humano e que, ao passo que me sufoca, também me liberta.
Ontem, hoje e amanhã te amo em cada nuance que se revela em nosso sentimento, nossos corpos, mentes e corações.




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